Como é o exercício profissional da Acupuntura na China
Torna-se indispensável esclarecer que na China, quer seja na República Popular da China (Continental) quer seja em Taiwan, não existe, e jamais existiu em qualquer época, um profissional autônomo exclusivamente “acupunturista”.Torna-se indispensável esclarecer que na China, quer seja na República Popular da China (Continental) quer seja em Taiwan, não existe, e jamais existiu em qualquer época, um profissional autônomo exclusivamente “acupunturista”. O que existe, tanto tradicionalmente como legalmente, é o profissional médico, quer seja ele formado por uma Faculdade de Medicina Tradicional Chinesa1 ou de Medicina Convencional Ocidental2 que se especializou num segmento específico da Medicina Tradicional Chinesa que é a - assim chamada no Ocidente - Acupuntura. Não existem cursos “avulsos” de Acupuntura para quem pretenda exercê-la profissionalmente em território chinês: é indispensável a graduação em Medicina, seja a Tradicional Chinesa, seja a Ocidental. No entanto, devido a lamentáveis objetivos mercenários – repetidamente denunciados em conceituadas revistas médicas internacionais (como Lancet, em dezembro de 2000) - para leigos estrangeiros que estejam dispostos a pagar por isto, algumas instituições chinesas oferecem cursos de Acupuntura com a duração que o contratante desejar (três dias, três semanas, três meses, etc.), mas absolutamente sem nenhuma validade para que ele a exerça profissionalmente em território chinês; isto só é possível se ele tiver se graduado, na China, em Medicina (Chinesa ou Ocidental) e tenha feito sua especialização em Acupuntura; ou, sendo médico formado fora do território chinês, tenha seu diploma reconhecido lá, e faça então um curso específico de Pós-Graduação em Acupuntura. Quanto aos chamados, nos nossos idiomas ocidentais, “médicos de pés descalços”, estes, na verdade, dentro do modelo de saúde chinês, são agentes de saúde de comunidades rurais, treinados com noções básicas de higiene e sanitarismo, mas não autorizados a efetuar atos médicos.
Infelizmente, o Japão adotou outro modelo com relação à Acupuntura: lá, o aprendizado é feito através de curso profissionalizante de segundo grau. Disto resultou que, devido a uma formação inadequadamente reduzida, com parcos conhecimentos sobre anatomia, semiologia e clínica, os técnicos japoneses têm conduzido o país a desconfortável posição de ser o campeão mundial de lesões de medula espinhal por Acupuntura, com casos de paralisias até mesmo irreversíveis, por uso de técnicas inadequadas devido a desconhecimento científico; além disso, até mesmo mortes de paciente jovens têm ocorrido em mão de técnicos daquele país, seja por perfuração de ambos os pulmões, seja por asfixia provocada por intensa asma não diagnosticada adequadamente (e que o técnico, em seu desconhecimento médico, insistiu imprudentemente em tratar, ao invés de encaminhar a serviço pneumológico competente).
¹ cinco anos de curso, em que por lei, no mínimo, 30% deve ser de medicina ocidental, a fim de possibilitar a integração do conhecimento tradicional chinês com o contemporâneo ocidental, desta forma capacitando tanto para a atual propedêutica ocidental (aí incluindo solicitação e interpretação competente de exames laboratoriais e de imagem modernos), quanto para o indispensável estabelecimento de diagnóstico clínico-etionosológico, a fim de identificar de imediato, por exemplo, se uma dor abdominal se deve a uma cólica renal -tratável por Acupuntura- ou a uma gravidez tubária rompida - situação de grave risco de vida que exige imediata intervenção cirúrgica!
² também lá com seis anos de curso, como no Brasil.