Disfunção erétil em homens que vivem com HIV e AIDS
Disfunção erétil também conhecida como impotência, é a incapacidade persistente ou repetida de atingir e/ou manter ereção suficiente para penetração.Disfunção erétil também conhecida como impotência, é a incapacidade persistente ou repetida de atingir e/ou manter ereção suficiente para penetração. A disfunção erétil eventualmente ocorre junto com outras formas de disfunção sexual, incluindo alterações do desejo (libido), ejaculação (rápida e tardia), e orgasmo.
Além de afetar o desempenho sexual geral e a satisfação, a disfunção erétil pode levar à baixa auto-estima e problemas nos relacionamentos interpessoais, sobretudo em relação a sua/eu parceira/o.
Nunca repensamos tanto uma doença como no caso da Aids. É uma doença que abre a privacidade do indivíduo, atinge principalmente pessoas sexualmente ativas, tem a morte como um “fantasma” permanente e lida-se freqüentemente com culpas e arrependimentos.
Ao longo de minha prática clínica com pessoas que vivem com HIV e Aids identifiquei uma repetida queixa relacionada à disfunção erétil. Mais recentemente encontram-se textos que buscam explica-la como decorrente de efeitos colaterais dos medicamentos que são ingeridos diariamente por esses pacientes. Apesar de relacionarem os fatores emocionais como possíveis causas a serem somadas aos medicamentos, percebo que pouco tem se levantado sobre o percentual dos efeitos emocionais com relação à disfunção erétil em pessoas que vivem com HIV e Aids.
O que mais me chama a atenção é que acompanho pessoas que apesar de não terem iniciado o tratamento com antiretrovirais, mesmo assim, já se queixam da disfunção erétil.
Trago algumas reflexões que avalio como importantes para tentarmos compreender o que leva homens diagnosticados com HIV/Aids que apesar de jovens e que tinham vida sexual ativa anterior ao diagnóstico, mesmo sem iniciar os medicamentos (antiretrovirais) apresentarem freqüentemente disfunção erétil.
Com a Aids antigos temores fundamentais construídos no imaginário ocidental pelo cristianismo das representações da enfermidade, do sexo e do pecado, e a figura da morte se inscreve novamente na experiência do gozo, apresentando-se então, mais uma vez, como o Outro que se interpõe no cenário do prazer. Com o controle das clássicas doenças “venéreas” alcançado ao longo do século, e uma maior liberação no usufruto do corpo observado nas últimas décadas, parecia que as obsessões culpabilizantes tinham sido superadas, porém a experiência vivida em torno da pandemia da Aids recoloca em cena os antigos terrores de forma ainda mais aguda e violenta.
Há, porém, diferenças entre as representações das clássicas doenças venéreas e a Aids. Em ambas identificamos relações invisíveis entre as figuras da sexualidade e da morte, sendo que na primeira a morte é considerada como conseqüência mediata e tardia da volúpia sexual enquanto que na Aids a morte é a conseqüência imediata do desejo sexual.
Podemos de uma forma ampla definirmos comportamento sexual considerando as dimensões comportamentais, relacionais, afetivas e culturais além, neste caso, dos aspectos físicos também.
Diferente do que se divulga, freqüentemente pessoas que se descobrem com HIV/Aids tem em sua primeira reação a negação da continuidade de sua prática sexual.
Com relação à disfunção erétil nesses pacientes, já se foi constatado uma possível relação dos efeitos dos inibidores de protease com esta queixa, porém ao longo de minha experiência clínica com essa população, observo que mesmo os que não iniciaram o tratamento por vezes trazem essa queixa.
Nessa trajetória observamos que os principais obstáculos neste caso são: o medo de contar, a prática sistemática do sexo mais seguro, o tratamento com antiretrovirais com horários rigorosos, seus efeitos colaterais e possíveis doenças oportunistas, medo da infecção do outro e mesmo o estigma da morte eminente.
A disfunção erétil aumenta nos pacientes infectados pelo HIV. Segundo pesquisa (Dobs e Cols) cerca de 66% dos pacientes com Aids apresentam diminuição da libido e 33% apresentam disfunção erétil avançada.
Fatores psicológicos relativos a questões como orientação sexual, sorologia, saúde sexual, reprodução, sexo mais seguro, depressão, medo, ansiedade, diminuição da libido, preconceitos, discriminação e idéia de morte eminente são, hora mais ou menos, desafios presentes na vida das pessoas que vivem com HIV e Aids e podem estar relacionados com freqüência nas dificuldades de se obter uma vida sexual mais satisfatória.
Sentimentos de culpa e medo de infectar o/a parceiro/a levam com freqüência o portador do vírus HIV a desenvolver a disfunção erétil como dificultador para concluir uma relação sexual com penetração.
O prazer é muito culpabilizado na nossa sociedade e o HIV vem justamente reforçar essa culpa que todos nós, positivos ou não, já carregamos por sentirmos prazer.
Satisfação na vida sexual, parece ser um dos itens importantes para a obtenção de felicidade, mas para as pessoas soropositivas, fazer sexo não tem sido nada simples. O fantasma da culpa vem de forma avassaladora na maioria dessas pessoas. O medo de infectar o/a parceiro/a, de ser rejeitado/a e inibição e vergonha de seu corpo por vezes alterado pelos efeitos colaterais das medicações fazem com que cada vez mais haja nessas pessoas dificuldades relacionadas a saúde sexual e a disfunção erétil, no caso dos homens, vem na comissão de frente dessas dificuldades.
Todas nós profissionais de saúde (física e mental) e/ou pessoas com HIV/Aids, devemos estar atentas a necessidade de considerarmos os fatores etiológicos, incluindo físicos e psicológicos de cada pessoa para a obtenção de um diagnóstico mais preciso, na busca de uma prática de vida mais saudável e prazerosa.