Efeitos Adversos e Complicações da Acupuntura
O risco mais prevalente envolvido com a prática da Acupuntura, na verdade não é referente à própria Acupuntura, mas sim à sua prática por indivíduos sem conhecimento e treinamento clínicos em Medicina: a ausência ou equívoco de diagnóstico clínico-etionosológico. Esta grave falha ocorreu, por exemplo, em 1999, em Florianópolis/SC, no caso de tratamento de Acupuntura, realizado por leigo em Medicina, para quadro de dor abdominal, que na verdade era uma apendicite, o que resultou em quase morte do paciente.
Além disso, o uso de um método invasivo, cirurgicamente perfurante, por indivíduos com falta de conhecimentos médicos sobre a anatomia normal e suas variantes, sobre elaboração de diagnóstico e conseqüente prognóstico (por exemplo, tratamento por método invasivo de indivíduos que apresentem condições de risco como lesão valvular cardíaca ou diabetes mellitus), sobre técnicas efetivas de esterilização, têm resultado em ocorrência de negligência, imperícia e imprudência, além do crime de curandeirismo (Art. 284 do Código Penal Brasileiro), como têm sido relatado em inúmeros casos, pela literatura médico-científica mundial, tais como: perfurações pulmonares e cardíacas (inclusive seguidos de morte); transmissões de hepatite por vírus B e C; transmissões de AIDS; lesões e infecções da medula vertebral (ocasionando paralisias muitas vezes irrecuperáveis); infecções, lesões e deformidades na cartilagem da orelha; infecções cardíacas (endocardite) por aplicar Acupuntura em portadores de lesão valvular prévia (uma condição predisponente que poderia ser facilmente diagnosticada por profissional médico); infecções generalizadas (septicemia), inclusive seguidas de morte; lesões de nervos periféricos; etc.
E o que contribui para agravar mais ainda estas possíveis ocorrências é o fato de que, tendo sido provocado por indivíduo leigo em Medicina, muito dificilmente este terá discernimento para perceber que provocou um efeito adverso; e muito menos condições ainda terá de corrigir o dano causado. Com isso, o paciente lesado poderá ter uma demora muito grande para ser diagnosticado devidamente e adequadamente socorrido, podendo por esta última razão resultar, inclusive, em perda irreparável, como tem sucedido com casos fatais relatados pela literatura.