Da Panacéia Mística à Especialidade Médica - a Construção do Campo da Acupuntura no Brasil

  • Autor: Nascimento, Marilene Cabral
  • Orientador: Luz, Madel Therezinha
  • Descrição: Dissertação apresentada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Saúde Coletiva) para obtenção do grau de Mestre, 1997. 125 pp.
  • Biblioteca responsável: Biblioteca Setorial C, Centro Biomédico, UERJ
  • Resumo: Nos últimos 20 anos, a acupuntura, progressivamente, deixou de ser associada à crendice e ao charlatanismo para ser considerada um procedimento terapêutico de caráter científico. A partir do início dos anos 80, a acupuntura foi introduzida e passou a ocupar espaço crescente no interior dos serviços públicos de assistência à saúde. Na atualidade, os médicos reivindicam exclusividade para sua prática. Este estudo se constitui um esforço de explicação do processo de inserção daquela modalidade terapêutica da medicina tradicional chinesa nos serviços públicos de atenção à saúde no Brasil, em suas relações com a medicina ocidental contemporânea, a partir dos anos 80. A pesquisa se baseou principalmente no discurso veiculado nos jornais acerca da acupuntura e nos formatos normativo e institucional que vêm caracterizando sua inserção na assistência pública. Em complementação a isto, recorremos a alguns aspectos de conteúdo simbólico, sobretudo através de representações de seus pacientes. Entre os resultados alcançados, apresentamos o que consideramos os traços mais significativos da conformação atual da acupuntura na assistência pública à saúde, nos campos terapêutico, profissional, institucional e político-cultural. Entendemos que a atenção individual, presente nos pressupostos da acupuntura e da medicina tradicional chinesa, situa-se enquanto uma inovação qualitativa na abordagem médica contemporânea, centrada no resgate do atributo humano da medicina. A percepção do sujeito humano visto em sua individualidade e integralidade tem encontrado, no entanto, grande resistência na prática médica, que tende a assimilar a acupuntura submetendo-a ao paradigma biomecânico e à abordagem generalista, tecnicista e voltada à doença que caracterizam a medicina ocidental contemporânea.
  • Fonte: Banco de Teses/CAPES