Efeitos da Estimulação do Nervo Peroneal nos Limiares de Dor e nos Comportamentos de Defesa Induzidos por Estimulação da Matéria Cinzenta Periaquedutal de Ratos

  • Autor: Chamovitz, Alberto
  • Orientador: Schenberg, Luiz Carlos
  • Descrição: Dissertação apresentada à Universidade Federal do Espírito Santo, Ciências Fisiológicas, para obtenção do grau de Mestre, 2003. 159 pp.
  • Biblioteca responsável: Biblioteca Central da UFES, Setorial do CBM e do PPGCF
  • Resumo: A estimulação elétrica da matéria cinzenta periaquedutal dorsal (MCPAd) produz comportamentos de defesa acompanhados de aumentos da pressão arterial e freqüência cardíaca, vasoconstrição da pele e das vísceras, e vasodilatação muscular. Este padrão integrado das respostas somáticas e autonômicas, amplamente conhecido por 'reação de defesa', tem sido associado ao medo e pânico. Por outro lado, a estimulação elétrica de baixa freqüência (10 Hz) do nervo peroneal (NP), um modelo experimental de eletroacupuntura, produziu a atenuação prolongada da resposta pressora induzida por estimulação da MCPAd de ratos anestesiados (Lovick et al., J Auton Nerv Sys, 50: 347, 1995). O presente estudo investigou se a estimulação do NP (ENP) também atenua as respostas de imobilidade tensa, exoftalmia, trote, galope, salto, defecação e micção produzidas por estimulação intracraniana (EIC) da MCPAd de ratos livres e não anestesiados. Adicionalmente, os efeitos analgésicos da ENP e da EIC foram avaliados em 3 testes de nocicepção: 1) teste de abalo de cauda (AC), que é próprio de reflexos espinhais, 2) teste da placa-quente (PQ), cujas respostas envolvem reflexos supra-espinhais e, 3) teste da formalina (FOR), que avalia a intensidade da dor inflamatória. Para isto, ratos Wistar albinos (n=23), com eletrodos implantados na MCPAd, foram estimulados com pulsos de intensidade crescente (0-70 µA, 60 Hz, 1 min), registrando-se as intensidades limiares das respostas de defesa. No dia seguinte, os ratos foram anestesiados com éter e um eletrodo foi implantado no NP (INP). Cerca de 4 a 5 h após, os ratos foram submetidos a sessões consecutivas de EIC e 1 dos testes nociceptivos (AC ou PQ), na seguinte ordem: EIC, teste nociceptivo (Pós-INP), ENP (20 min), teste nociceptivo (Pós-ENP), EIC, teste nociceptivo (Pós-ENP+EIC). Os testes nociceptivos também foram realizados em controles intactos (sem eletrodos do NP ou MCPAd). O teste de FOR foi realizado em grupos independentes, com estimulação real ou fictícia do NP. Curvas de limiar das freqüências acumuladas das respostas de defesa foram ajustadas segundo o modelo logístico e comparadas por testes do c2 da razão das verossimilhanças. As latências de resposta dos testes de AC e PQ foram comparadas por ANOVA para medidas repetidas seguidas de contrastes lineares com as latências anteriores à ENP. A duração das respostas nociceptivas da FOR em intervalos de 15 min, ao longo de 1 h, foi analisada similarmente. A duração ponderada total das respostas à FOR foi comparada pelo teste-t para grupos independentes. Considerou-se efeitos significativos ao nível de 5%. A ENP causou a atenuação significativa das respostas de imobilidade (50%), exoftalmia (40%) e micção (109%). Os limiares de galope também sofreram aumentos significativos na sessão Pós-INP que, no entanto, podem ter sido devidos à lesão da INP. As respostas de trote e saltos não apresentaram alterações significativas. Embora a defecação tenha sido virtualmente abolida nas sessões Pós-INP e pós-ENP, este efeito pode ser atribuído ao esgotamento das fezes pelos testes sucessivos de EIC e nocicepção. Nos testes nociceptivos, observou-se o aumento das latências do AC após a EIC e após a ENP+EIC, o aumento das latências de PQ após a INP e após ENP+EIC, e a conversão da dor intensa ou moderada para dor leve 60 min após a ENP. No conjunto, estes testes indicam efeitos analgésicos do estresse cirúrgico (PQ) e EIC (AC e PQ). Além disto também foram observados efeitos analgésicos após a ENP no teste da FOR, sugerindo a eficácia do procedimento. Como a ENP produz um comportamento de quiescência similar ao estado 'De Qi' produzido pela acupuntura, a atenuação da imobilidade e exoftalmia pode ter sido devida ao efeito sedativo da ENP. Nossos resultados também sugerem que a ENP iniba a micção induzida por estimulação da MCPA mediante mecanismos intrínsecos desta estrutura.
  • Fonte: Banco de Teses/CAPES