Entre a Conversão e o Ecletismo: de como Médicos Brasileiros tornam-se Chineses
- Autor: Nogueira, Maria Inês
- Orientador: Informação não disponível
- Descrição: Tese apresentada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Instituto de Medicina Social, para obtenção do grau de Doutor, 2003. 155 pp.
- Biblioteca responsável: Biblioteca Biomédica C, Insitituto de Medicina Social, UERJ
- Resumo: O presente estudo buscou compreender como se processa a incorporação da acupuntura (medicina chinesa) pelos médicos ocidentais, apontando as características mais significativas desse processo e suas implicações para a prática. A investigação foi desenvolvida através de uma abordagem sócio-filosófica e ancorada na categoria "racionalidade médica" elaborada por Luz. Teve como objetivos principais estabelecer uma discussão sobre a apropriação de conhecimentos no aprendizado de práticas médicas/científicas, utilizando-se como referenciais teóricos os seguintes autores: Kuhn (conceito de paradigma percepção aprendida de semelhança), Fleck (estilo de pensamento e coletivo de pensamento) e Wittgenstein (jogos de linguagem como formas de vida / conversão gestáltica), e detectar formas específicas de práticas da acupuntura exercidas por médicos ocidentais. A estratégia metodológica constou das seguintes etapas: revisão da bibliografia crítica sobre acupuntura (medicina chinesa); estudo da racionalidade médica chinesa através de sua literatura (principalmente os textos didáticos), além de papers e artigos de divulgação; observação etnográfica das aulas teóricas e da prática da acupuntura no ambulatório do Instituto de Acupuntura do Rio de Janeiro (IARJ); entrevistas semi-estruturadas com médicos de formação ocidental que optaram pelo estudo da acupuntura no IARJ: alunos em formação, alunos desistentes, professores e acupunturistas em atividade. Assim, a partir da análise da prática do médico cupunturista ocidental e de seu discurso, duas conclusões se destacaram: há uma recriação da prática da acupuntura em nosso meio não somente devido às sucessivas reconstruções sofridas pela medicina chinesa desde sua redescoberta/ reinvenção na China maoísta, mas também, às características sócio-econômico-culturais específicas da demanda e dos profissionais médicos ocidentais. O processo de incorporaçäo da acupuntura (medicina chinesa) pelo médico ocidental é marcado por uma característica básica de complementaridade com a medicina ocidental contemporânea (ou biomedicina), configurando-se um estilo eclético nas formas de atuação(AU).
- Fonte: BIREME